Hipertensão Arterial: A importância de checar a pressão mesmo sem sentir nada
Seguramente você já deve ter ouvido falar que a hipertensão é uma doença silenciosa. Contrário ao que muitas pessoas pensam, a hipertensão arterial não se manifesta com uma dor na nuca, uma tontura ou um cansaço inexplicável.
Na grande maioria das vezes, a hipertensão é silenciosa. Ela vai produzindo alterações no nosso corpo de forma completamente assintomática, até chegar ao ponto onde sua primeira manifestação pode ser alguma complicação grave, como um acidente vascular cerebral, ou um infarto.
Na continuação, conheceremos algumas verdades sobre a hipertensão arterial:
O mito dos sintomas da pressão alta
O nosso organismo tem a capacidade de adaptação diante de mudanças. Quando a pressão arterial começa a subir de forma gradual, as paredes das nossas artérias vão se tornando mais rígidas para suportar o fluxo sanguíneo mais intenso. Por isso, nosso corpo pode tolerar o aumento da pressão arterial, por algum tempo, sem manifestar sintomas imediatos.
Alguns sintomas como dor de cabeça na região da nuca, visão turva, tontura, ou palpitações, não costumam estar relacionados com hipertensão arterial, e às vezes podem ser estes sintomas, por outras causas, que secundariamente causem aumento da pressão arterial. Por exemplo, uma pessoa que sofre de enxaqueca pode estar com a pressão arterial elevada, como consequência da dor da cabeça.
Por outro lado, existem as chamadas “crises hipertensivas”, que são situações de elevação aguda da pressão arterial, que podem se manifestar com sintomas graves decorrentes da elevação abrupta da pressão, como confusão mental, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), infartos, e preeclâmpsia nas gestantes. Estes casos demandam atenção médica imediata.
Hipertensão crônica: o que muda no corpo?
Ainda sem nenhum sintoma, o bombeamento de sangue sob alta pressão causa um atrito nas paredes dos vasos sanguíneos, alterando a função normal dos órgãos mais importantes do nosso corpo: coração, rins, retina (olhos) e cérebro.
No cérebro, as pequenas artérias que suprem sangue sofrem um desgaste contínuo, sendo a hipertensão crônica não tratada o principal fator de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), e uma das principais causas de declínio cognitivo a longo prazo.
Nos rins, a pressão alta causa esclerose e destruição dos pequenos vasos sanguíneos que filtram o sangue, sendo a hipertensão a principal causa de doença renal crônica no mundo.
Nos olhos, a retinopatia hipertensiva pode causar diversas alterações, desde hemorragias até perda da acuidade visual e ceguera.
Valores normais de PA e a importância do monitoramento rastreio
Em 2025 houve uma atualização da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, trazendo “o novo valor normal” como menor a 120/80mmHg (ou 12 por 8, como costumam chamar), e considerando “pré-hipertensão” a faixa que vai de 12 por 8 até 13,9 por 8,9 (120-129 e 80-89mmHg). Esta mudança, com límites mais rígidos de PA, se deve a que os estudos científicos têm mostrado que valores superiores a 120/80mmHg se associam a risco maior de infarto ou AVC. Assim, o objetivo desta mudança é fazer as pessoas acordarem para melhorar os hábitos antes de precisarem de medicação.
É recomendado medir a pressão regularmente, para adultos saudáveis acima de 18 anos, pelo menos 1 vez por ano durante a consulta de rotina. Caso você já tenha fatores de risco como histórico familiar, sedentarismo, tabagismo ou mais de 40 anos, a frequência deve ser maior, conforme a orientação do seu clínico geral.
Nas pessoas que já tratam hipertensão, o monitoramento residencial da pressão, quer dizer, medidas feitas em casa regularmente e aferições em pelo menos duas consultas anuais de controle e acompanhamento, ajudarão a avaliar o efeito das medicações e realizar os ajustes necessários.
Como o Clínico Geral pode ajudar?
Na consulta com o clínico geral você será avaliado como um todo. O médico deve aferir seus níveis de pressão arterial no consultório e também investigar o histórico familiar, os hábitos de vida, solicitar exames complementares, e caso detectada alguma alteração, traçar uma estratégia personalizada que inclui mudanças no estilo de vida (alimentação, manejo do estresse e atividade física), e, caso necessário, a introdução de medicamentos.
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Nota: O conteúdo deste blog é puramente informativo e educativo. Ele não substitui, em hipótese alguma, a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico especializado. Se você tem dúvidas sobre a sua pressão arterial, consulte um médico clínico geral.